Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de contaminação por HIV/AIDS na população com mais de 50 anos de idade vem se alastrando quando comparada a outros grupos etários minimamente estabilizados. Recentemente, muitas matérias têm sido publicadas sobre o diagnóstico tardio e a busca por tratamento para HIV/AIDS, observando-se a discrepância entre os dados encontrados nos jovens adultos e idosos (Fonte: Folha de São Paulo). Estes têm em sete vezes aumentadas a probabilidade de busca tardia pelo sistema de saúde, acarretando no retardamento do diagnóstico e prejuízo conseqüente ao tratamento da doença.
Apresentado o cenário atual do HIV/AIDS em idosos e tendo em vista a preocupação em melhor atender às suas necessidades, buscar-se-á compreender tais achados sob o ponto de vista das particularidades subjetivas que tomam parte no processo do envelhecimento, enfocando os entraves na vivência da sexualidade como fator desencadeante da maior parte dos casos de contaminação nesta faixa etária.
O envelhecimento apesar de ser processo natural do desenvolvimento humano, implica em mutações importantes, que necessitam de acomodação. Para tanto, é uma necessidade vital, a mediação do subjetivo. Entendemos que para um envelhecer psiquicamente saudável, não se trata de recomeçar, estando aí muitas vezes a dificuldade, quando esta etapa torna-se quebra da continuidade existencial e fator traumatizante, em outras palavras perda de sentido! Recomeçar implicaria em desfazer-se das raízes constituídas e desconsiderar que o atravessamento deste período depende primordialmente das conquistas e saberes constituídos ao longo de todo o desenvolvimento maturacional.
É freqüente encontrarmos na terceira idade, a presença de conflitos ocasionados pelo descompasso entre o “ser” e o “fazer”, quando ao rever a própria história, o idoso encontra um longo passado que invariavelmente projeta o ainda não realizado, o tempo futuro que se encurta. O que em geral ocorre, é que psiquicamente, quando o envelhecer não é integrado ao domínio subjetivo, a percepção do não realizado se equipara a “falta” e o idoso passa a sofrer da sensação de não ter vivido.
Sob o ponto de vista das experiências pessoais, podemos dizer que todo fenômeno orgânico, como por exemplo, HIV/AIDS, ocupa um lugar na dimensão subjetiva e a depender do impacto causado, somos mobilizados em nossa identidade. Na terceira idade o impacto incide na amostra evidente da passagem do tempo que o corpo traz, revelando a finitude e a fragilidade dos seres humanos, em muitos casos nos distanciando sobremaneira da noção de corporeidade e temporalidade constituídas até então, aspectos estes, norteadores de nosso lugar no mundo.
No âmbito da sexualidade, o conflito do envelhecer pode ser observado através da maneira como o sujeito se relaciona consigo próprio e com a vida. Encontramos a presença de atitudes impulsivas, que remetem a prática sexual à via do desempenho como busca desenfreada pelo resgate da identidade temporariamente perdida, quando o sexo é vivido a partir da repetição do fazer. Desta maneira, a pessoa faz uso do corpo como objeto, acentuando a falta de cuidados e a perda do aproveitamento real da experiência. É comum a pessoa se relacionar com o corpo que tem e não com o corpo que é!
O acréscimo da terceira idade às populações de risco na contaminação do HIV/AIDS reflete o posicionamento do homem enquanto mero consumidor da vida e suas possibilidades. Da mesma maneira que a redução do fazer/produzir é sentida como perda da funcionalidade, o idoso pode experienciar com o declínio da eroticidade, a eminência de perda da própria sexualidade. As transformações da vida e do corpo passam a ser “visitas de um estranho” e o idoso tende a estabelecer relações destrutivas consigo próprio e com o mundo na impossibilidade de incorporar esta nova fase da vida.
Quando estas mudanças não podem ser alojadas na esfera total da personalidade e do nosso modo de ser, há a interdição de um viver criativo da sexualidade. Inúmeros descuidos, revelados pela não-aderência ao uso de preservativos e cuidados médicos em geral trazem agravantes a saúde física, sendo porta de entrada á contaminação do idoso. Ao invés de recursos facilitadores de uma atividade sexual saudável, as medidas preventivas (e paliativas) permanecem no imaginário como recursos de aprisionamento do ser.
Ao pensar no idoso com HIV/AIDS, torna-se preocupante a especificidade deste fator aliado a este momento de vida. As dificuldades de enfrentamento da patologia acentuam-se devido ao acréscimo de outras situações que se descortinam: atravessamento das particularidades sintomatológicas e infecções oportunistas, das rotinas médicas e medicamentosas, do impacto na relação conjugal/ familiar frente à lida com o preconceito e busca pela sobrevivência. Surgem com maior intensidade, os medos da morte e da dependência, reedições de temas freqüentes em nossa prática clínica com esta população, sendo fundamental para o idoso reencontrar-se consigo mesmo neste momento.
Fonte:Roberta de Siqueira Meloso - Psicóloga Clínica
Fonte: http://www.crinorte.org.br/artigos/visualizar.php?id=7
ONG da região de Atibaia e São Paulo que tem como objetivo o trabalho de prevenção a DST's - HIV, assistência e geração de rendas a portadores.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Pessoas com mais de 50 anos diagnosticadas tardiamente com HIV morrem mais cedo
Pessoas com mais de 50 anos com HIV têm mais probabilidade de serem diagnosticadas com o estágio avançado da doença do que adultos jovens, segundo um estudo britânico.
Elas também têm duas vezes mais chances de morrer dentro de um ano após o teste de HIV do que os jovens diagnosticados tardiamente.
"Existe um grupo de pessoas que não faz o teste porque imagina que não está em risco", disse Valerie Delpech, do Centro de Infecções da Agência de Proteção da Saúde do Reino Unido, em Londres, que trabalhou no estudo, publicado na revista "Aids".
Ela disse que o número de britânicos infectados pelo HIV triplicou nos últimos dez anos, atingindo mais de 55.000 em 2007. Enquanto os idosos representam apenas cerca de um em cada seis desses casos, o número de novos diagnósticos está crescendo mais rapidamente entre aqueles com mais de 50 anos.
"Os números ainda são pequenos", disse Delpech. Ela estimou que menos de um a cada mil britânicos foram infectadas com o HIV. "Mas todos podem estar em risco, e precisamos pensar sobre isso", afirmou.
De 2000 a 2007, o número de pessoas recém-diagnosticadas com mais de 50 anos saltou de 299 para 710. Em comparação aos mais jovens, a maioria dos idosos soropositivos eram homens brancos homossexuais.
Ainda assim, houve uma grande proporção de homens e mulheres heterossexuais entre os infectados, ressaltou a pesquisadora.
Quase metade deles foram diagnosticados em estágio avançado da doença. Cerca de 14% dessas pessoas morreram no ano seguinte, em comparação com apenas 1% dos indivíduos testados rapidamente.
Embora as razões não fossem claras para o aumento do contágio entre os mais velhos, Delpech disse que o maior número de divórcios e as melhores condições de saúde podem ter colaborado para o aumento da atividade sexual entre essas pessoas.
Em um estudo anterior de doenças sexualmente transmissíveis, Anupam B. Jena, do Massachusetts General Hospital, em Boston, descobriu que os homens de 60 anos que tomavam Viagra, remédio para disfunção erétil, tinham o dobro da taxa de DSTs do que aqueles não medicados.
Ele disse que o novo estudo deixou claro pela primeira vez que o número crescente de idosos soropositivos não se deve apenas ao fato de que agora os doentes vivem mais, por causa dos medicamentos mais eficazes. De fato, os pesquisadores foram capazes de mostrar que cerca de metade das pessoas diagnosticadas após o 50º aniversário tinham sido infectadas com 50 anos ou mais.
Delpech disse que devem considerar fazer o teste todos os homossexuais, pessoas que viajaram para fora do país e tiveram relações sexuais ou quem iniciou um novo relacionamento. Se diagnosticados e tratados prontamente aos 30 anos, essas pessoas podem facilmente viver até 75 anos.
"Não é tudo má notícia", acrescentou. "Se você for diagnosticado precocemente, há medicamentos altamente eficazes."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/779187-pessoas-com-mais-de-50-anos-diagnosticadas-tardiamente-com-hiv-morrem-mais-cedo.shtml
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Aumento dos soropositivos com mais de 60 anos preocupa especialistas
Aumento dos soropositivos com mais de 60 anos preocupa especialistas
O sensível crescimento do número de soropositivos com mais de 60 anos de idade previsto para os próximos anos representa um desafio médico e social dadas as dificuldades de vários tipos, em particular as financeiras, que devem ser enfrentadas por essas pessoas.
O tema se torna cada vez mais preocupante à medida que a primeira geração de soropositivos está se aproximando dos 60 anos graças ao uso de antirretrovirais.
Esses pacientes vivem principalmente em países ocidentais, nos quais foi colocado à disposição este tipo de terapia a partir de 1996. A eles se somarão dentro de alguns anos milhões de pessoas que vivem em países pobres e nos quais o uso de antirretrovirais teve início apenas em meados da década passada.
A Aids ficou conhecida em 1981. Antes de serem desenvolvidos os tratamentos com antirretrovirais, os soropositivos no geral terminavam ficando doentes dentro de uns dez anos e morriam um ou dois anos depois disso.
Para muitos dos soropositivos que agora estão chegando a idades mais avançadas, viver com o HIV provavelmente acarretará problemas médicos, solidão, opróbrio e dificuldades financeiras, segundo uma palestra durante a Conferência Internacional sobre a Aids em Viena.
"Sempre houve soropositivos mais idosos, mas agora são muitos mais, e isso poderá ter enfoques novos em termos de saúde pública", estimou o diretor da ONUAids, Gottfried Hirnschall.
"Envelhecer com o HIV é mais que um desafio clínico, é também um desafio social, que não se deve limitar a uma parte do mundo", acrescentou.
Para Lisa Power, da organização de beneficência britânica, Terrence Higgins Trust, apesar de os soropositivos viverem mais tempo do que antes, sua qualidade de vida corre o risco de deteriorar-se.
Essa organização entrevistou 410 soropositivos de mais de 50 anos de idade que residem no Reino Unido. Os mesmos estão geralmente desempregados e têm poupanças inferiores às das pessoas da mesma idade e saudáveis, depois de ter previsto morrer antes de chegar a uma idade tão madura e, por isso, ter poupado menos.
Muitos deles vivem isolados, temem sofrer uma dupla discriminação pela idade e a doença e estão obcecados pelo dia em que serão internado num hospital ou em uma casa para idosos.
Um estudo apresentado por Margaret Hoffman-Terry da organização independente americana American Academy of HIV Medicine inclui números que evidenciam a existência desses problemas.
Nos Estados Unidos, o número de soropositivos de mais de 50 anos de idade passou de 20.000 em 1995 a 120.000 em 2005.
As pessoas com mais de 55 anos têm três vezes mais possibilidades de padecer uma doença crônica que uma pessoa saudável de 70 anos, segundo Hoffman-Terry.
"No futuro, teremos pacientes que viverão décadas a mais e deveremos encontrar a forma com que possam fazer isso com boa saúde", concluiu.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/770840-aumento-dos-soropositivos-com-mais-de-60-anos-preocupa-especialistas.shtml
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